30 de junho de 2008
Não se pode acusar a Pixar de viver à custa de suas glórias passadas, e ter medo do novo. Wall-E é um filme de animação, com muito pouco diálogo e, por isso mesmo, com várias citações explícitas de 2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick (que crianças não devem ter a menor idéia do que seja); também um pouco de Alien (inclusive a voz de Sigourney Weaver, que faz a do computador do Navio, mas quase tudo é limitado a sons mecânicos criados por Ben Burtt), e ainda mais claramente, do musical Alô, Dolly! (em particular da canção Put on Your Sunday Clothes).
Mais comédia romântica e ficção cientifica do que comédia, o novo filme de Andrew Stanton (Procurando Nemo) talvez encante mais aos adultos do que às crianças, o que já é, por si só, um problema comercial. Nem por isso deixa de ser encantador e adorável.
O nome, que evidentemente se traduz por Wally, é de um pequeno robot especializado em limpeza, que continua funcionando, mesmo depois dos humanos terem deixado a Terra, que havia se tornado um grande depósito de lixo, inabitável.
O ano é 2700, e ele vive sozinho fazendo sua missão, mas também se encantado com o filme antigo que reproduz continuamente, e que lhe serve de instrutor quando aparece um robot feminino, de última geração, a Eve. Naturalmente ele se apaixona por ela, mas sua amada é recuperada por uma nave mãe, e Wally a segue, começando um novo capítulo da história.
Nesse planeta-nave de turista, os humanos se tornaram tão obesos que mal conseguem caminhar, e são totalmente dominados por computadores (como em 2001, chegando-se a ouvir o tema ‘Zarathustra’). O filme cai um pouco em lugares comuns, virando sátira leve, e fita de perseguição. Mas é tecnicamente muito bem realizado, poético e completamente diferente de tudo que a Pixar fez antes.
Wall-E, na verdade, quer dizer Waste Allocation Load Lifter - Earth Class, ou seja, no fundo ele é um lixeiro.
Obviamente, não é para se perder.
Por
Rubens Ewald Filho