30 de junho de 2008
Gostei muito do novo filme de Guilherme de Almeida Prado (de A Dama do Cine Shangai -1987), que é inspirado numa história de Caio Fernando de Abreu, mas tem uma penca de referências, desde O Que terá Acontecido a Baby Jane (“What Ever Happened to Baby Jane?” - 1962) a elementos da Bossa Nova e à própria carreira do diretor (como Matilde Mastrangi, sua atriz preferida, fazendo diversos pequenos papéis).
Na verdade, na primeira seqüência, o filme já se faz entender. Mostra Caio, o herói (o fraco Eriberto Leão, que repete a mesma expressão todo o filme) discutindo com a mulher Lídia (Julia Lemmerts), que o vai abandonar. Fica olhando por uma janela, que passa a mostrar imagens oníricas, ou seja, o que ele está sentindo, não o que está vendo. A partir daí, Guilherme pode se permitir tudo, e quase sempre o faz (o maior defeito do filme - o que todo mundo está repetindo - é sua longa metragem, o que sucede geralmente quando, como neste caso, o diretor também fez a montagem).
O ponto de partida é Dulce Veiga (Maitê Proença)uma estrela cantora da Bossa Nova, que desaparece no auge de sua carreira. O herói é jornalista e vai entrevistar a filha dela Márcia (Carolina Dieckman), que é cantora punk e lésbica. A partir daí, e estimulado pelo jornal, e Rafic (Nuno Leal Maia) o próprio dono dele, começa a pesquisar e tentar descobrir o que sucedeu com ela.
Ao som de Bossa Nova, com boas interpretações e grandes sacadas, o filme soluciona bem os problemas. Fui completamente envolvido (mas nem todo mundo concorda comigo), e quero mesmo ver o filme de novo. É um dos melhores filmes de autor dos últimos anos.
Por
Rubens Ewald Filho