A MÚMIA - TUMBA DO IMPERADOR DRAGÃO (Tomb of the Dragon Emperor)
 


1 de agosto de 2008

Este seria o terceiro filme da série, caso não se conte um spin off (O Rei Escorpião com The Rock, em 2002) meio bastardo. A Múmia surgiu em 1999 e retornou depois em 2001, com o mesmo elenco e diretor (Stephen Sommers que aqui ficou com apenas crédito de produtor). Quem assumiu a direção é o medíocre Rob Cohen (de Velozes e Furiosos), que não conseguiu imprimir qualquer toque pessoal, fazendo um filme rápido, movimentado, excessivamente repleto de efeitos especiais (nenhum deles memorável ou inédito). É um ‘festival de CGI’, onde o ponto forte é uma luta entre esqueletos (antigos guerreiros que foram enterrados debaixo da Grande Muralha da China) e os soldados de terracota, que fazem lembrar um pouco os filmes antigos de Ray Harryhausen e também Sam Raimi; mas, nem por iss,o deixa de ser um filmeco.
Ao escrever essa palavra fiquei com saudade dos bons tempos da infância, quando as pessoas chamavam  os filmes ruins de abacaxi (e mulher bonita de Uva). Nos EUA, esses filmes eram chamados de perus (Turkeys). Ou bomba. Mas nenhum deles se aplica bem para esta superprodução, rodada no Canadá e na China (inclusive naquele velho conhecido estúdio de Shangai, que tem uma reprodução do país nos aos 40). É apenas um passatempo menor, que funciona mais para os mais jovens, com menos quilometragem, menos experiência de filmes.

Implico, para começar, em colocarem Brendan Fraser (que ainda não completou quarenta anos e aparenta bem menos), como o pai de um homem adulto, grandão e mau ator (disso, a culpa é quem escolheu para o personagem o australiano inexpressivo Luke Ford, que não tem nada de memorável em seu currículo). Na vida real, é apenas 13 anos mais novo que Fraser. Não convence. Também não foi boa idéia substituir Rachel Weisz (que não quis fazer o filme, oficialmente porque tinha filho pequeno e não queria passar tempo longo em locações difíceis) por outra atriz, que é mais velha e, como o filme deixa claro, tem problemas de pele. Fica difícil reconhecer morena Maria Bello, de 41 anos, que apesar do bom humor de sua entrada (onde se faz piada dizendo que ela é uma mulher completamente diferente), não chega a convencer como dupla de Fraser.

Aliás, falando de humor, o filme tem poucas piadas boas, e o roteiro não brilha pela sagacidade. São especialmente ruins as reservadas para John Hannah, que volta como irmão da heroína. Agora é o filho deles, Alex O´Connell (Luke Ford) que vai em busca de tumbas e acaba encontrando, na China, o lugar onde está enterrado o Imperador (feito por Jet Li no começo e no fim, o resto do tempo é substituído por efeitos digitais). Só que este ressuscita, ajudado por fiéis servidores (besteira de coisas do gênero), enquanto também retornam os seus inimigos (são duas mulheres charmosas, a veterana e ainda bela Michelle Yeoh, e a filha dela na história Isabella Leong).

O melhor do roteiro é aproveitar fatos reais, como os cavaleiros de terracota de Xian, a lenda dos Yetis (os Abomináveis Homens da Neve, que aqui estão do lado do Bem) e outros lendários como Shangri-La (criado por James Hilton, para o livro e depois em filmes, como  Horizonte Perdido). Fora disso, haja perseguição, correria, fogos de artifício, gente explodindo, brincadeira com a morte e a vida eterna. São 175 milhões de dólares gastos num filme fácil de ver e esquecer.

Por Rubens Ewald Filho

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