UMA GAROTA DIVIDIDA EM DOIS (La Fille Coupée en Deux)
 


1 de agosto de 2008

Cada vez mais Claude Chabrol, veterano criador do movimento da Nouvelle Vague e realizador de 70 filmes até agora, tem trabalho com a família. O filho Mathieu fez a trilha musical e o outro, Thomas, aparece como ator; e a esposa Aurore assina como supervisora do script.

Continua também um gourmet (e este filme está repleto de citações de refeições e bebidas). Foi ele também que co-escreveu com Cécile Maistre esta história que não é muito original. Lembra diversos outros filmes (eu lembrei bastante de Lola Montés de Max Ophuls que tinha a trama parecida; de O Escândalo do Século com Joan Collins e Ray Milland, inspirado em fato real parecido). Mas quando  a  gente pensa que acabou , ele continua revitalizando e reinventando o clichê.

Este é o primeiro filme de Chabrol com a jovem Ludivine Seigner (em cartaz em Molière), que interpreta a garota do tempo na televisão local de Lyon. Por razões que só ela entende, se apaixona perdidamente por um homem mais velho, um escritor local famoso mas que é casado e inconseqüente (pena que François Bérleand é um ator fraco que a França insiste em usar). Ao mesmo tempo ela é cortejada  por um rapaz mimado, com passado comprometedor mas que é filho de uma família muito rica (Benoit Magimel, carregando demais na caracterização e quase caindo na caricatura). Eventualmente os dois se casam mas o espectador está certo que é uma idéia errada e que tudo terminará mal. Só que há ainda uma conclusão que salva o filme, banhando-o de ironia e mesmo ternura.

Se não chegar a ser dos melhores trabalhos do diretor, não desmerece sua honrosa carreira. Passou em Veneza e ganhou lá premio secundário da critica.

Por Rubens Ewald Filho

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