O ESCAFANDRO E A BORBOLETA (Le Scaphandre et le Papillon)
 


18 de julho de 2008

Foi o grande injustiçado do Oscar® e de Cannes. Embora tenha ganhado em Cannes o prêmio de Melhor Direção, passou em branco no Oscar®, onde foi indicado como fotografia (do polonês Janus Kaminzki que trabalha sempre com Spielberg, inclusive no último Indiana Jones), montagem, roteiro (Ronald Harwood, premiado por O Pianista) e direção (o artista plástico Schnabel, que também acertou com Basquiat e Antes que Anoiteça). Merecia mais, porque é um filme de notável qualidade e impacto.

Ainda que poético, não se pode dizer que seja um filme fácil. É baseado num fato real. Jean-Dominique Bauby (1952-1997) era o editor da revista feminina francesa ‘Elle’, quando inesperadamente, viajando de carro pelo campo, sofreu um derrame (acidente cardio-vascular) que, por pouco, não o mata. Mas graças às drogas modernas, ele acorda num hospital, onde descobre que é prisioneiro de um corpo paralisado, e só consegue se comunicar através das piscadas de um único olho. Foi assim que conseguiu trabalhar, com um código com a enfermeira, que foi registrando sua história e seus pensamentos, que iria resultar num livro best-seller.

Para a gente - e qualquer espectador - é difícil encarar a nossa fragilidade, e o medo de que algo parecido venha a suceder. Nem por isso, o filme perde em impacto. Ao contrário. Schnabel entrou no projeto indicado por Johnny Depp, que iria fazer o papel central, e se revelou um diretor perfeito para o projeto (que foi co-produzido por Kathleen Kennedy, parceira de Spielberg - até porque dois atores centrais aqui, Mathieu Amalric, que é o protagonista, e Marie-Josée Croze, estiveram no filme dele, Munich).

O desafio foi transpor visualmente um drama tão intimo, tão pessoal e tão fácil de cair na auto-piedade. Mas conseguiram o tom certo, com a voz em off do protagonista, entremeado de seu cotidiano e flash-backs. É um elogio ao espírito humano pela sobrevivência, mas também um pranto pelo desperdício e sofrimento, de tantos amores e desencontros, tempo perdido e nunca recuperado.
Com um elenco 'Classe A' (onde aparece a Lady Chatterley, Marina Hands, e uma das últimas aparições do veterano Jean Pierre Cassel - pai de Vincent, e astro da Nouvelle Vague), o filme é excepcional e obrigatório.

Por Rubens Ewald Filho

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