QUE MICO!
 

 

1 de agosto de 2008

Nem tudo são louros na animação cinematográfica americana. Depois de se verem os bem-sucedidos Kung Fu Panda (2008), de Mark Osborne e John Stevenson, e Wall.E (2008), de Andrew Stanton, não deixa de ser constrangedor topar a indigência criativa de Space chimps — micos no espaço (2008), de Kirk deMicco; como vêem, devem os leitores desculpar o arrufado trocadilho do título deste texto, pois o próprio realizador já traz embutido em seu nome, para o público brasileiro,as ironias que sobram desta realização vulgar e pouco inspirado.

Space chimps traz recortes de 2001, uma odisséia no espaço (1968), de Stanley Kubrick, e O planeta dos macacos (1967), de Franklin J. Schaffner, adaptando a sisudez destas reflexões cinematográficas a uma comicidade fácil que busque o contato com a platéia infantil. Para tanto, o realizador DeMicco abaixa as calças e dá o cu a arder, se me permitem uma metáfora direta e tão vulgar quanto o filme que analiso.

O universo de chimpanzés jogados ao espaço numa missão reedita velhos esquemas de ficção científica, a narrativa tenta nossa simpatia para com um macaquinho chulé que acaba liderando a missão, deixando à tona sua herança nobre (é neto dum homem bem conceituado) e provocando suas descontraídas confusões que inevitavelmente acabam certo. Sempre se dirá que o alvo são as crianças; mas será preciso descer tanto?

Por Eron Fagundes

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