EMBATE DE GIGANTES
 

 

20 de junho de 2008

A personagem do Zorro (ainda e sempre quadrinhos e cinema) já tinha aqueles que o emulavam, fantasiando-se do herói mascarado: eram os falsos zorros, quem não se lembra dos seriados televisivos de sua infância? Em O incrível Hulk (The incredible Hulk; 2008) o diretor Louis Leterrier e seus roteiristas Edward Norton e Zack Penn criam o êmulo da criatura Hulk, aquele que utiliza os ingredientes e os truques da força descomunal para a destruição exclusivamente; no embate final os dois gigantes são utilizados pelo cinema para o habitual filme de torcida da indústria e uma espetacular destruição de cenários ao modo dos cinedesastres dos anos 70, mas devidamente atualizado para as pasteurizações contemporâneas.

Nada de novo debaixo do sol. A voracidade financeira do cinema exige estas articulações. Não se trata duma continuação de Hulk (2003), dirigido pelo chinês Ang Lee; mudou o diretor e mudou também o elenco e as orientações gerais da história também tomaram outro rumo, embora mantendo os tiques originais que vêm desde os quadrinhos. Edward Norton na pele de Bruce Banner e de seu duplo Hulk é bastante mais engenhoso que Eric Bana, o ator do filme de Lee. Jennifer Connelly, a intérprete da realização de Lee, apesar de sua beleza, é bem menos interessante como persona fílmica do que Liv Tyler, que faz no novo filme a namoradinha do protagonista; Liv começou a despertar no cinema quando participou do elenco de Beleza roubada (1996), do italiano Bernardo Bertolucci.

Mas o espectador habitual de O incrível Hulk dificilmente se interessará por estas informações mais sutis; o que interessa á a grandiloqüência do embate destrutivo final e a torcida acelerada pelo herói. Para o espectador brasileiro, resta a curiosidade de que as seqüências iniciais do filme foram rodadas no Brasil, numa favela carioca, pois o roteiro de Norton e Penn depositou a personagem ali a recuperar-se de seu mal da raiva desmedida; ouvimos então algumas palavras em português do Brasil e podemos livremente suspeitar que, a qualquer momento, Hulk se transformará num líder favelado e vai exibir no coração de sua favela um programa social para os miseráveis...

Enfim, que deu na prepotente indústria americana para visitar um dos quintais que adoram suas origens de sempre?!

Por Eron Fagundes

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