1 de agosto de 2008
André Sturm roda uma perdida e convencional história de amor num imaginário e remoto lugarejo do interior paulista em Bodas de papel (2008), uma narrativa que lida de maneira esquemática e sem profundidade com o tema das evocações afetivas interligadas por uma história presente. É o segundo filme de Sturm; o primeiro foi Sonhos tropicais (2001), extraído da ficção do escritor gaúcho Moacyr Scliar. Pelo visto, Sturm não aprendeu muita coisa nos sete anos que separam uma produção de outra: os aspectos entravados de sua maneira de pôr em imagens uma história, que desqualificavam no cinema a visão de Scliar sobre a Revolta da Vacina nos começos do século XX, se repetem em Bodas de papel, agora agravados pela falta de consistência do enredo armado por Sturm.
O cinema de Sturm se parece com um velho teleteatro, onde tudo (a dialogação, a posição do intérprete diante da câmara e a estrutura de cenário) parece falso e empostado, uma literatura cinematográfica de qualidade questionável, para emular uma expressão da personagem do homem em Bodas de papel sobre um livro que a mulher está lendo. Se Sturm fosse um Manoel de Oliveira, o grande cineasta português, poderia converter esse teleteatro em algo reflexivo e profundo, um exercício de linguagem; mas, desprovido de talento, Sturm vê seus sonhos de um bom filme intimista ruírem no mofado e constrangedor Bodas de papel.
Mas nem tudo é nulo em Bodas de papel. O casal de intérpretes centrais está muito bem: a interpretação meio desmaiada, à Truffaut, de Helena Ranaldi compõe uma bonita heroína, assim como o desempenho de Dario Grandinetti como o arquiteto argentino que dela se enamora deveriam ser isolados da mediocridade geral para serem valorizados. No mais, faltou mesmo a Sturm para dar significado aos outros nomes do elenco, todos sem uma função cênica mais organizada.
Por
Eron Fagundes