O ACADEMICISMO DE ATTENBOROUGH
 

 

20 de junho de 2008

O que atrapalha o cinema em Um amor para toda a vida (Closing the ring; 2008) é o esclerosado academicismo de filmar do realizador inglês Richard Attenborough. Buscando contar uma história de amor que evoca os tempos da II Guerra Mundial, Attenborough está longe da sensibilidade e das emoções despertadas por Desejo e reparação (2007), de Joe Wright, um dos destaques da temporada de cinema em Porto Alegre; a moeda emocional que o cineasta britânico vende com seu filme é barata demais e as cenas são montadas e juntadas de maneira esquemática, quadradona.

Um amor para toda a vida executa idas e vindas do passado ao presente tentando dar um charme diferente a seu pastoso classicismo formal, mas os jogos entre passado e presente são duros e primários para dar qualquer sopro vital à narrativa. O amor neuroticamente parado no tempo da protagonista não rende ao diretor algo mais que um melodrama incomodamente choroso e superficial; como estamos distantes das autênticas emoções do grande cinema! Uma velha recorda seu amor eterno a um jovem pouco antes de estourar a guerra e devora sua mente lembrando a morte dele quando seu avião caiu, esta velha, que hoje tem uma filha com quem se relaciona com dificuldade e remói insistentemente seu antigo amor e os amigos do passado, é tudo que Attenborough põe desajeitadamente em cena para tentar conquistar o observador. É bem verdade que a magnífica atriz norte-americana Shirley MacLaine (que estreou no cinema aos vinte anos de idade em O terceiro tiro, 1955, de Alfred Hitchcock) é uma persona fílmica acima de qualquer mau filme; mas Um amor para toda a vida é de fato inconvincente.

Por Eron Fagundes

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